Educação midíatica como arma de combate às fake news

Margarida Chiarastelli – 20/07/22

Num mundo cada vez mais conectado, no qual basta ter um celular para se tornar um produtor e emissor de informações, a Educação Midiática aparece como a melhor alternativa para combater fake news e desinformação. E nessa área, Santos vem fazendo a sua parte, com o Parquinho Tecnológico e o projeto Memórias em Rede.

Ambos foram apresentados, ontem (19/07),  no painel Desinformação, Educação Midiática MIL Cities: A Evolução das Cidades Inteligentes e Criativas às Cidades Sensíveis, que faz parte da programação da Expo Cidades Criativas Brasileiras, que acontece em paralelo à XIV Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da Unesco.

Participaram da apresentação Renata Ferrarezi (Assessora de Imprensa Alesp), Cristiane Domingues (Coordenadora do Parquinho Tecnológico), Andressa Luzirão (Presidente do Instituto Devir Educom) e Alexandre Sayad (Co-chairman da Aliança Internacional da Unesco em Educação Midiática, a Unesco MIL Alliance). O painel contou com a mediação de Maria Helena Marques (Secretária Adjunta da Educação).

Ainda que integrada à nova Base Nacional Comum Curricular – BNCC, aprovada desde dezembro de 2017, a Educação Midiática nas escolas está longe de ser uma realidade no Brasil.  Apesar disso, Santos tem se mostrado como uma vitrine para outras cidades. De olho nas tecnologias que impactam cada vez mais as crianças, em 2017, foi criado o Parquinho Tecnológico, com o objetivo de educar midiaticamente alunos do ensino fundamental, do 1º ao 9º ano.

“Quando a gente pensa em letramento, quer dizer o uso social dessas mídias, para que serve, como e onde usar”, afirma Cristiane Domingues, coordenadora do Parquinho. Lá, as crianças são conscientizadas da importância de dar o melhor uso para as tecnologias. A ideia é começar a formar desde cedo cidadãos mais críticos.

Assim como o projeto Memória em Rede, que foca na importância do fazer jornalístico nas escolas, ensinando a alunos do ensino fundamental desde a apuração dos fatos até sua publicação. E é por meio dessa construção coletiva que os jovens passam a questionar qual o papel deles na mídia em geral, especialmente os jovens negros e periféricos.  A afetividade tem lugar fundamental neste trabalho, como aponta Andressa Luzirão, do Instituto Devir. “Trabalhamos na perspectiva do resgate da autoestima, havia alunos que não gostavam sequer de serem fotografados”, conta. O Memória em Rede integra a Rede Nacional de Combate à Desinformação.

O esforço da cidade neste sentido não para por aí. Santos aderiu à Unesco MIL Alliance, órgão da ONU voltado à Educação Midiática no mundo. Alexandre Sayad, co-chairman da Aliança, explica que o órgão tem como objetivo combater a desinformação através de políticas públicas. “Queremos trazer humanidade para um mundo que vive a Inteligência Artificial, promovendo um entrelaçamento de três repertórios – escola, cidade e digital para educar o olhar”, afirma.

Como bem resumiu Renata Ferrarezi, chegou a hora da humanização e do empoderamento. Enquanto as Cidades Inteligentes focam na tecnologia, e as Cidades Criativas na inovação, o futuro são as Cidades Sensíveis, que voltam seu olhar para os cidadãos. E é com esses projetos que a cidade de Santos prepara jovens e crianças para um futuro mais centrado nas pessoas.

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