Panorama dos últimos 30 anos mostra que coproduções com plataformas internacionais, tipo Netflix, aqueceram o mercado interno

Margarida Chiarastelli – 20/07/22

O painel Panorama do Setor Audiovisual Brasileiro (Sebrae), apresentado nesta quarta-feira, pela produtora e sócia da Gullane Entretenimento, Debora Ivanov, trouxe uma grata surpresa para o setor. Nem pandemia, nem o fim do Ministério da Cultura foram capazes de impedir a continuidade do crescimento de produtoras e produções nacionais, que atingiu um patamar histórico em 2018.

Diretora da Ancine – Agência Nacional de Cinema, entre 2015 e 2019, Debora mostrou as conquistas do audiovisual nos último 30 anos. Os dados são animadores. O número de produtoras registradas e regulares na Ancine, em 2018, chegou a 9.125. Ela aponta um detalhe importante, agora elas estão em todas as partes do país, não apenas no eixo Rio-São Paulo.

Se por um lado a pandemia provocou o fechamento de muitas produtoras , ela também acelerou a tendência de queda dos conteúdos lineares (programação com horário marcado) das TVs abertas e por assinatura. Foi a explosão do VOD (Vídeo On Demand), um dos responsáveis por tornar o audiovisual um mercado em expansão. Além disso, o Brasil está entre os cinco maiores consumidores de VOD do mundo. Bem como aparece em segundo lugar no ranking global de assinantes da Netflix.

O surgimento dessas novas plataformas, entre elas Disney +, HBO, Globoplay e a própria Netflix, abriu um novo horizonte para o audiovisual com as coproduções. Estas plataformas perceberam que o público também quer ver a produção local nas telas. O que contribui muito para que o número de filmes lançados nos cinemas brasileiros, em 2019, atingisse a incrível marca de 167 produções, contra sete, em 1990.

Políticas públicas, como leis de incentivo criadas entre 1993 e este ano, como as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, também colaboram com a melhoria do setor. “Não sem muita luta”, como faz questão de frisar a produtora. Aliás, luta e persistência fazem parte da vida de Debora. Ela conta que o filme de Ana Muylaert, A que Horas Ela Volta, que rodou o mundo e ganhou vários prêmios, foi rejeitado três vezes antes de ser produzido pela Gullane.

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